“As notas dela ficaram em cima da minha mesa. Vai ser difícil continuar dando aula naquela sala”, diz professor de aluna morta por raio

Chorando bastante, o professor disse que Yasmin era muito dedicada aos estudos

Edinaldo Gomes, do Senaonline.net

Professor Humberto Ferreira em entrevista ao repórter Josué da Silva

O professor Humberto Ferreira da Silva, residente na comunidade Boca do Iaco, está desolado com a tragédia ocorrida ontem no rio Purus que resultou na morte de três estudantes e do barqueiro Magneto Júnior.

Humberto Ferreira trabalha há 22 anos na Escola José Manoel dos Santos que fica na Boca do Iaco e era professor da estudante Yasmin Ferreira da Silva, 11 anos de idade, vítima fatal. Os alunos estavam sendo transportados dentro uma embarcação para a referida unidade de ensino quando foram atingidos por um raio.

Chorando bastante, o professor disse que Yasmin era muito dedicada aos estudos e sentava na parte da frente da sala. “Não sei quando vou tirar a imagem dela da minha mente. A imagem que fica é dela sentada bem na frente, próximo à minha mesa. As notas dela ficaram em cima da minha mesa. Não sei como vou ter forças para continuar dando aulas naquela sala. Somente Deus para nos fortalecer nesse momento de profunda dor”, comentou.

O corpo de Yasmin está sendo velado na Capela Esperança, situada à Rua Maranhão e o sepultamento ocorrerá na tarde de hoje no cemitério São João Batista.

Em entrevista à nossa reportagem, o trabalhador rural Laudimar Araújo da Silva, 47 anos de idade, padrasto de Yasmin, lamentou profundamente a tragédia. “Quando cheguei ao local e vi os corpos dentro da embarcação não acreditei. Foi muito desespero. Nós estamos sofrendo muito, é uma dor muito grande”, comentou.

Ele acrescentou que Yasmin era uma menina dedicada aos estudos, não faltava um dia sequer. Ontem, mesmo com a chuva atingindo a região ela não hesitou em ir pra escola. “Todos os dias ela se arrumava com antecedência e pegava a catraia para se deslocar até a escola. Era uma filha obediente e estudiosa”, confirmou.

Laudimar Araújo contou que a garota sonhava em ser modelo. “Ela dizia pra nós que o seu sonho era ser modelo, mas infelizmente teve sua vida interrompida muito cedo. Nesse momento, a única que podemos pedir é forças a Deus para tentarmos superar essa grande perda”, finalizou.

Três corpos estão sendo velados em Sena Madureira e um foi levado para a zona rural (comunidade Estirão do Alcântara, no rio Purus).

“Meu filho era um herói. Começou a trabalhar com oito anos de idade”, diz pai de barqueiro

Outra vítima fatal dessa tragédia foi o barqueiro Magneto Júnior Ribeiro do Nascimento, 26 anos, conhecido pela alcunha de “Mano” que morava na comunidade Estirão do Alcântara, rio Purus. Ele estava no timão do motor – um Yamaha B12, no momento em que o raio atingiu a embarcação.
Magneto ficou algumas horas desaparecido nas águas e seu corpo só foi encontrado no final da tarde por pescadores da região.

O pai de Magneto, Alzemir Freire do Nascimento, muito abalado com o que aconteceu, relatou que o filho era muito dedicado ao trabalho. “Ele começou a trabalhar quando tinha somente oito anos de idade. Meu filho era um herói. No transporte dos alunos ele começou a trabalhar neste ano e infelizmente morreu em pleno exercício de sua atividade. O sofrimento é muito grande nesse momento”, frisou.

Alzemir Freire acrescentou que todos os dias ficava aguardando o filho passar no rio com os alunos. “A gente conhecia que era ele somente pelo barulho do motor. Ontem meu filho não tinha almoçado. A irmã dele preparou a comida e entregou pra ele dentro do barco. Ele disse que ia comer somente quando entregasse os alunos na escola, mas não conseguiu chegar ao destino final”, lembrou.

Além dos quatro ocupantes do barco que morreram, outros quatro estudantes ficaram feridos e deram entrada no Hospital João Câncio Fernandes. Um deles foi transferido para Rio Branco. Os que ficaram em Sena Madureira foram liberados na manhã de hoje.

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